Arnaldo

Arnaldo é considerado um dos melhores laterais-direito da história da Caldense. Atuou pela equipe entre 72 e 78, além de passar por Esportiva de Guaratinguetá-SP, Taubaté-SP, São José-SP, Flamengo de Varginha-MG e Atlético de Três Corações-MG.

Como foi sua chegada e passagem pela veterana?

O Geraldo Martins Costa tentou me trazer no começo de 72, mas acabou não dando certo. Ao final do ano ele voltou a me procurar e assinei contrato. Cheguei junto com Gilberto Voador e Roberto Cruz. Fui muito bem recebido e me estabeleci na cidade, onde formei minha família e moro até hoje. Tive o privilégio de atuar pela Caldense até 78, em um período de ouro da história do clube.

Quais eram as principais características deste time que marcou época na década de 70?

Tínhamos a precisão dos lançamentos e bolas paradas do Ailton Lira, a marcação e os passes refinados do Jeremias, a explosão e a velocidade do Augusto, a garra do Buzuca, o Neto com suas qualidades técnicas de estilo clássico, além da elasticidade do Gilberto Voador.

Qual foi sua partida inesquecível?

Em 76 recebemos o Cruzeiro, que tinha acabado de ser campeão da Libertadores. Eles achavam que ganhariam fácil da Caldense, mas perderam por 2 a 1. Gols de Ailton Lira e Augusto para a Veterana e Jairzinho para a equipe celeste. Foi um jogo memorável.

Como era seu estilo de jogo?

Quando eu jogava no estado de São Paulo, os treinadores exigiam que os laterais apoiassem o ataque. Por isso, cheguei em Minas já com essa característica, de apoiar os homens de frente com passes e cruzamentos. Às vezes até conseguia chegar como elemento surpresa no ataque e marcar alguns gols.

Como era jogar no Estádio Cristiano Osório?

A Caldense fazia prevalecer o mando de campo. A torcida ficava muito próxima ao gramado e colocava uma pressão muito grande nos adversários, era difícil nos derrotar. Havia um aconchego pelo fato de o campo ser no centro da cidade. Existia também uma integração muito grande entre os torcedores e os jogadores, éramos quase uma família.

Nos anos 70 a Caldense teve um treinador que ficou muito famoso por seus rituais, crenças e simpatias. Você se lembra de alguma história curiosa da época do Juquita José Lúcio?

Sempre que a Caldense precisava vencer, o Juquita usava uma bola preta para nos dar um “apoio espiritual”. Certa vez fomos jogar em Uberlândia e tivemos que parar em Tambaú para que o ele pudesse fazer o “trabalho” dele no cemitério de lá. Já havia anoitecido e o local estava fechado. Ele decidiu pular o muro, acabou caindo dentro de uma cova e começou a gritar: “me acuda, me acuda, estão querendo me levar”. Tivemos que ajudá-lo a sair de lá e ele voltou para o ônibus cheio de terra, pedaços de vela e flores no corpo. Foi muito engraçado. Apesar desse lado folclórico, gostaria de ressaltar que ele era um estrategista, estudioso, sabia dar treinos, impunha um padrão de jogo. Foi um dos grandes treinadores que tivemos na época junto com Carlos Alberto Silva.

O que a Caldense significa pra você?

Motivo de muito orgulho. Devo minha vida à Caldense. Parei de jogar em 78, fui treinador interino por sete vezes, preparador físico, auxiliar técnico, treinador de goleiros. Sempre dei meu melhor e trabalho no clube até hoje. Aqui é minha segunda casa.