Fábio Paulista

O zagueiro-artilheiro, Fábio Paulista, chegou à Caldense em um momento conturbado da história do clube. A equipe havia acabado de ser rebaixada para disputar o módulo II do Campeonato Mineiro em 2008 e estava perdendo muitos torcedores para o Poços de Caldas Futebol Clube, que acabara de surgir na cidade. Mesmo encarando tantas dificuldades, Fábio conseguiu se destacar, permaneceu na Veterana até 2012 e se tornou um dos maiores zagueiros de todos os tempos da história do clube.

 

Como foi lidar com a toda essa situação de disputar um módulo II, com o clube em crise e torcedores desacreditados?

A gente teve que fazer um recomeço e as coisas levaram um tempo para se encaixar. Na época o Jânio Joaquim era o gerente de futebol e estava com a saúde debilitada, comandava o departamento de futebol praticamente sozinho. Por eu ser o capitão da equipe, ele conversava muito comigo e me pedia para conversar com os outros atletas para motivar os jogadores. Foi um dos piores períodos da história da Caldense, o clube havia perdido a credibilidade e os torcedores estavam divididos.

 

Em 2008 a Caldense brigou pelo acesso até a última rodada e só não conseguiu o objetivo devido a um gol mal anulado contra o Itaúna. Como foi o sentimento para o grupo?

Me lembro que nosso time estava muito melhor tecnicamente nessa partida contra o Itaúna. O campo deles era muito pequeno, gramado ruim, então o jogo foi nivelado por baixo. No finalzinho do jogo o Renato Santiago fez um gol de cabeça, mas o árbitro anulou o gol, que foi totalmente legítimo. Por fim acabamos perdendo por 1 a 0. Na rodada seguinte, que foi a última, conseguimos vencer, mas não dependíamos só de nós e acabamos ficando em terceiro lugar, o Uberlândia conseguiu o acesso juntamente com o América. Ficamos a 1 ponto da classificação, se aquele gol não tivesse sido anulado teríamos empatado o jogo e conseguido o acesso.

 

 

De que maneira vocês encontraram motivação para se reerguer e começar tudo do zero no ano seguinte?

O pior foi que não tinha calendário no segundo semestre, não dava para manter a base do time. O clube não tinha dinheiro em caixa pra tentar disputar alguma outra competição, mas aí entrou o trabalho do Jânio. Ele conseguiu manter a equipe e nós continuamos treinando, mantemos a base e trouxemos alguns jogadores para somar. Foi um trabalho muito difícil, um grupo unido, que se cobrava muito. Graças ao nosso esforço, conseguimos o acesso em 2009 e hoje a Caldense se encontra em um patamar bem diferente. Hoje o clube chega às finais de Mineiro, tem futebol no segundo semestre.

 

No jogo onde a Caldense conseguiu o acesso você foi carregado pelos torcedores. O que isso significa pra você?

Pra mim foi tudo, a consagração de um trabalho bem feito. Até hoje me sinto muito bem em Poços de Caldas. A torcida reconhece, o pessoal da imprensa também. Vestir a camisa da Caldense não é pra qualquer um. É um clube diferente, de tradição. Tem uma história bonita, tem título mineiro. Hoje o clube está de parabéns pelo trabalho que vem fazendo.

 

Ser capitão de um time é uma responsabilidade muito grande. É muita cobrança dos companheiros e principalmente do treinador. Como você lidava com isso?

Eu sempre fui acostumado a ser capitão, joguei em mais de 30 clubes e em uns 10 fui capitão. E pra gente que faz contratos curtos, de 3 ou 4 meses, rapidamente temos de nos adaptar e ir nos impondo. A diretoria Caldense e os treinadores tinham confiança e mim e me deram essa responsabilidade. Também tomei a iniciativa de bater de frente com a imprensa local, que comparava um clube que havia acabado de ser criado na cidade com a Caldense. Eu pedia pra respeitarem a história da Veterana e, pra você ver, hoje só existe um clube dentro de Poços de Caldas.

 

Quais características fizeram com que você fosse capitão em tantos clubes?

Eu sempre fui um jogador explosivo, de muita cobrança, eu tinha uma liderança dentro de campo. Às vezes eu era um pouco rude, pegava no pé do pessoal e isso é necessário. Sempre cobrei dos jogadores para correr um pouquinho mais, ajudar na marcação, recompor. Por isso os treinadores me davam essa responsabilidade.

 

Você ficou marcado na Veterana por ter feito muitos gols, mesmo sendo zagueiro. Qual a importância do pessoal da defesa ajudar o ataque?

Futebol é o conjunto. Na hora dos escanteios os zagueiros, que normalmente são mais altos, costumam ir para a área tentar o cabeceio. Na época o Luiz Eduardo foi o artilheiro do campeonato e eu fui o vice. Ao longo do campeonato, consegui marcar 5 gols de cabeça e 3 de pênalti. Essa era a minha forma de ajudar o ataque. Inclusive, acredito ser o único zagueiro da história da Caldense a marcar dois gols no mesmo jogo. No módulo II de 2009, na partida de ida, empatamos em 2 a 2 com o Itaúna e eu fiz os dois.