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Curiosidades

O último jogo de Garrincha como profissional foi contra a Caldense

Manuel Francisco dos Santos, o Garrincha, foi um dos melhores jogadores de futebol de todos os tempos. Seu estilo de jogo levantava os torcedores e fazia a alegria do povo. O “anjo de pernas tortas”, como era conhecido, chegou ao auge em 1962, quando liderou a seleção brasileira na conquista do bi-campeonato mundial.

Ao longo da carreira, se consagrou pelo Botafogo e também atuou por Corinthians, Portuguesa e Flamengo. Aos 38 anos, chegou ao Olaria Atlético Clube através de empresários, time pelo qual jogou dez jogos e marcou apenas um gol. Curiosamente, a última partida do craque como profissional, foi contra a Associação Atlética Caldense.

Em pé: diretor Dr. Antonio Megale, Buzuca, Luis Pedro, Neto, Hildo, Luiz Carlos Beleza e Tonho. Agachados: massagista Rosa, Serginho, GARRINCHA, Lelo, Carlos Roberto, Ailton Lira e Ganzepe.

 

O confronto ocorreu em 07 de setembro de 1972. A Veterana contratou o Olaria por 12 mil cruzeiros para comemorar seu aniversário de 47 anos. O clima era festivo, mas quem não comemorava nada era Hildo, que foi escalado para marcar Garrincha. “Marcar o homem foi complicado, principalmente porque ele tinha a ginga nos pés. O que facilitou um pouco o meu trabalho em campo foi que eu era bem mais jovem que ele, por isso, tive maior resistência física” – disse o lateral-esquerdo.

O meio-campista Jota Lopes relembra os detalhes do jogo: “Foi dia muito especial, com agitação desde cedo. O Garrincha chegou atrasado porque ficou dando entrevistas. Mas quando entrou no saudoso Estádio Coronel Cristiano Osório e atravessou o gramado, todos os torcedores o aplaudiram de pé”. Ao final das contas, Garrincha não mostrou o brilho dos áureos tempos e acabou sendo substituído pelo atacante Carlos Antônio. A Veterana venceu a equipe carioca por 5 a 1.

Até então, ninguém imaginava que aquela seria a última partida do ídolo, mas acabou sendo. Garrincha, com diversos problemas no joelho, jamais voltaria aos gramados. Sua participação em um mero amistoso em Poços de Caldas, acabou sendo a despedida de um dos maiores craques que o mundo já viu.

 

 

Caldense tem participação histórica na carreira de Ronaldo

Em 25 de maio de 1993, o Estádio Municipal Dr. Ronaldo Junqueira foi palco de um fato histórico. Era uma noite de terça-feira muito fria. O local iria sediar às 21h um jogo entre Caldense e Cruzeiro, adiado da sexta rodada. A equipe celeste do técnico Pinheiro, que estava praticamente classificada para a próxima fase do Campeonato Mineiro, entrava em campo com um time reserva, repleto de garotos da base. Entre tantos jogadores desconhecidos, um rapaz franzino de 16 anos estava prestes a fazer sua primeira partida como profissional. O seu nome? Ronaldo Luiz Nazário de Lima.

A Caldense foi escalada pelo treinador Carbone com Aílton Cruz; Adriano, Renê, Russo e Luiz Carlos; Dácio, Pio Eugênio (Rubio), Tostão (Rubinho) e Marquinhos Gabriel; Osmarzinho e Brandão. Enquanto a Raposa atuou com Harlei; Zelão, Marcus Vinícius, Robson e Nonato; Rogério Lage, Daniel e Ramon Menezes; Nivaldo, Ronaldo e Éder Aleixo.
Logo aos quatro minutos de jogo, em uma disputa na ponta-direita, próximo à linha de fundo, o arbitro marcou falta para o time de Belo Horizonte. A bola foi alçada na área e o goleiro Aílton Cruz tirou de soco. A sobra ficou para um cruzeirense na entrada da área, que tocou de primeira para Ramon Menezes. O meia estava de costas para a meta e já dominou virando o corpo. Bateu firme no canto direito do arqueiro e marcou o único gol daquela noite. Cruzeiro 1 a 0.
O jogo seguiu sem muitas emoções. Uma partida que poderia ser facilmente esquecida pelos 2.484 torcedores que marcaram presença no estádio. Porém, mal sabiam eles que estavam sendo testemunhas oculares do nascimento de uma lenda.
A missão de marcar Ronaldo, foi de Russo, revelado na própria Veterana. Entretanto o futuro craque, que já vestia a camisa 9, não brilhou. “Não sabia que aquele era o primeiro jogo do Ronaldo, me lembro dele em campo, mas ele não jogou muito bem” – disse o ex-zagueiro.
O que parecia ser somente mais um mero jogo, acabou se tornando a primeira aparição do “Fenômeno”, um dos maiores craques que o mundo já viu. Esse acontecimento estará para sempre registrado na história de Poços de Caldas e da Caldense. E isso, ninguém tira de nós.

O dia em que Galvão Bueno premiou a Caldense

Carlos Eduardo dos Santos Galvão Bueno é hoje o narrador mais famoso do Brasil. Suas transmissões marcantes, bordões e até mesmo gafes o fizeram ficar conhecido em todo o território nacional. Mas você sabia que em 1980 ele veio a Poços de Caldas para entregar um prêmio a um jogador da Caldense?
Em 1979 a Veterana foi convidada pela Confederação Brasileira de Desportos a participar pela primeira vez em sua história do Campeonato Brasileiro. Na época o Governo Militar havia pressionado a CBD para incluir equipes consideradas pequenas e de estados que normalmente não eram valorizados pela entidade, justamente para incentivar os clubes a crescerem. Por isso, a competição contou com a participação de 94 times.
Na primeira fase do campeonato a Caldense integrou o Grupo B junto a outras nove equipes e avançou em quarto lugar para a etapa seguinte. Na segunda fase a Veterana ficou em quinto, não conseguiu se classificar e encerrou sua trajetória na competição na 30ª posição.
O campeão daquele ano foi o Internacional, que alcançou o feito de forma invicta. Dos 23 jogos venceu 16 e empatou apenas 7. Por conta disso, o time de Porto Alegre ganhou destaque nacional por ter se tornado o primeiro e, até hoje, o único campeão brasileiro invicto. Com isso, as sete equipes que tiraram pontos do time de Falcão e companhia foram reverenciadas pela mídia, entre elas a Caldense.
O jogo ocorreu no dia 15 de novembro de 1979. A Veterana abriu o placar aos 39 do primeiro tempo com Mirandinha e sofreu o empate aos 42 da etapa complementar, gol de João Carlos. “O Internacional tinha um dos melhores times do planeta, mas saímos na frente com gol meu. Foi um contra-ataque onde o Paulo Roberto foi ao fundo, cruzou e eu cabeceei para o fundo da rede, por cima do Benítez. Depois eles empataram e, aos 44 do segundo tempo, chutei uma bola no travessão. Ela quicou em cima da linha e voltou para o Márcio, que não conseguiu marcar. O jogo terminou em 1×1. Foi uma partida memorável” – lembra Mirandinha.
Paralelamente a isso, o saudoso radialista Lázaro Walter Alvisi organizava um evento anual que premiava os destaques esportivos da temporada. Diversas categorias davam direito ao troféu “Bola de Ouro”, como melhor jogador, gol mais bonito, melhor goleiro, etc. Pelo feito contra o Internacional, o centroavante Mirandinha concorria com Dadá Maravilha e outros jogadores de Atlético, Cruzeiro e América no quesito gol mais emocionante.
O evento tradicionalmente trazia convidados célebres para participarem da cerimônia, até mesmo pela amizade que Lólo e integrantes da Rádio Cultura tinham com outras emissoras. Para a edição de 1980, um dos principais nomes foi Galvão Bueno, que ficou responsável justamente por anunciar o vencedor do troféu de gol mais emocionante. Na época Galvão estava em início de carreira, ainda não tinha ido para a Globo, trabalhava na Bandeirantes. Havia participado da Copa de 1978 como comentarista e começava a transmitir suas primeiras corridas de Fórmula 1.
Mirandinha conta os bastidores daquele dia: “A cerimônia aconteceu em um salão no Véu das Noivas. O Galvão subiu no palco e fez um breve discurso, ele já era bastante conhecido no Brasil. Logo em seguida anunciou o vencedor e incrivelmente eu ganhei o prêmio de gol mais emocionante do ano. Lembro de ele me dizer que eu era artilheiro e que teria uma bela carreira pela frente. Depois ainda participamos de um churrasco no Bortolan”.

Galvão Bueno entrega o troféu Bola de Ouro ao centroavante Mirandinha da Caldense. O repórter Eduardo Paiva e o narrador Lázaro Walter Alvisi, ambos da Rádio Cultura, acompanham o momento. (Foto cedida gentilmente por Ricardo Alvisi, filho de Lólo).

Galvão estava certo, Mirandinha até então em início de carreira, viria a se tornar o maior artilheiro da história da Caldense. “Foi um momento de muita emoção. Pude reencontrar o Carlos Alberto Silva que foi quem me lançou no profissional (Carlos Alberto treinou a Caldense em 76, foi campeão brasileiro pelo Guarani em 78 e veio a Poços para ser premiado como técnico do ano), ganhei várias camisas newlight e dei entrevistas para a imprensa de vários estados. A única coisa que fico sentido é que com o passar dos anos e as diversas vezes que mudei de cidade por causa do futebol, acabei perdendo o troféu. Mas as lembranças estarão para sempre na minha memória” – finaliza o artilheiro.

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