O Campeonato Interno Carlos Alberto Brunório, da Associação Atlética Caldense, reúne muito mais do que atletas e partidas disputadas. Entre as figuras ilustres que marcam presença nas quadras e nos espaços do clube, estão personagens que ajudaram a construir sua história e mantêm vivos os laços de amizade, memória e pertencimento. Um deles é Paulão Duarte, ex-goleiro profissional da Veterana e antigo colaborador da instituição.
Aos 70 anos, Paulão construiu uma trajetória de quase duas décadas de vínculo com a Caldense, entre a carreira como jogador e as funções exercidas após encerrar sua atuação nos gramados. Estreou na equipe profissional em 1978, contra o Valério de Itabira, retornou ao clube em 1981 e permaneceu ligado ao futebol alviverde até 1990. “Tenho aproximadamente dez anos vestindo a camisa da Veterana e, somando o período como jogador e funcionário, acredito que sejam cerca de 20 anos”, relembra.
Após deixar os gramados, trabalhou como treinador de goleiros, participou da campanha na Série C do Campeonato Brasileiro de 1995 e, posteriormente, atuou na vigilância do clube até se aposentar. “Eu me aposentei aqui dentro e sou muito feliz por isso”, afirma.
Sócio desde 1985, Paulão também construiu sua história familiar na Veterana. Suas filhas Ana Paula e Amanda seguiram caminhos no voleibol, com passagens pelo cenário profissional, pela Europa e pela Argentina. Já os netos Gabriel e Mariana Cagnani também defenderam a Caldense e, atualmente, disputam o Campeonato Paulista, em Sorocaba. “Minha família foi formada aqui dentro. Minhas filhas Ana Paula, Roberta e Amanda cresceram nesse ambiente, e fico muito feliz por fazer parte dessa família que é a Caldense. Estou aqui todos os dias e só tenho a agradecer”, destaca.
A participação de Paulão no Campeonato Interno Carlos Alberto Brunório reforça o significado especial da competição para quem construiu sua história no clube. Inicialmente inscrito pela equipe da Coreia do Sul, ele precisou se afastar dos jogos devido a compromissos familiares relacionados à viagem da neta. Na reta final do torneio, porém, surgiu a oportunidade de voltar às traves, substituindo Geninho Cassaro, que apresentou um problema de saúde e precisou deixar a equipe.
O retorno ao gol representa mais do que a oportunidade de reviver os tempos de atleta. É também uma maneira de reencontrar amigos, compartilhar experiências e celebrar a convivência proporcionada pelo esporte. “Isso aqui é a nossa vida. É amizade. Mesmo que não houvesse campeonato, estaríamos aqui às terças e quintas-feiras. O esporte faz a gente se sentir vivo, e a felicidade de estar aqui, aos 70 anos, é algo difícil de explicar. Só tenho que agradecer a Deus por esse momento”, ressalta.
Entusiasta do esporte e presença frequente nas dependências do clube, Paulão também elogia a organização da edição de 2026 do Campeonato Interno. Para ele, a competição proporciona integração entre os associados e demonstra o cuidado da Caldense em promover atividades esportivas de qualidade. “Sou fanático por esporte e acompanho tudo de perto. A coordenação está de parabéns, o campeonato foi muito bem organizado e a arbitragem tem sido excelente. É natural que algumas equipes fiquem mais fortes e outras menos, porque existe o sorteio, e isso faz parte da disputa”, avalia.
Paulão ainda destaca a importância do respeito aos árbitros e da compreensão de que erros fazem parte do jogo. Segundo ele, a competitividade não deve se sobrepor ao espírito esportivo que caracteriza o torneio.
Aos 70 anos, entre lembranças dos gramados, reencontros com antigos companheiros e a alegria de voltar a defender o gol, Paulão Duarte simboliza o verdadeiro espírito do Campeonato Interno Carlos Alberto Brunório. Sua história representa a força dos vínculos construídos ao longo do tempo e mostra como a Caldense permanece presente na vida de gerações de uma mesma família, transformando o esporte em um elo permanente de amizade, gratidão e amor pelo clube.











