O compromisso com a saúde, a solidariedade e a humanização do atendimento levou o dentista Marcelo Dias Lopes e a protética Renata Franco, associados da Associação Atlética Caldense, a participarem de uma missão humanitária promovida pela ONG África Sorrindo, em Moçambique, no continente africano.
A iniciativa reúne profissionais voluntários de diferentes regiões do Brasil e tem como objetivo levar atendimento de saúde e odontologia a comunidades em situação de vulnerabilidade. Entre as ações desenvolvidas estão consultas e procedimentos clínicos e cirúrgicos, orientações sobre higiene bucal e prevenção de doenças.
Marcelo e Renata estiveram em Moçambique durante os meses de julho e agosto deste ano, participando dos atendimentos realizados em comunidades, entre elas a região de Dondo. A experiência, segundo os profissionais, foi marcada por desafios, mas também por momentos de grande emoção e aprendizado.
Na última terça-feira (15), o vereador e presidente da Câmara Municipal, Douglas Dofu, recebeu os voluntários em seu gabinete e concedeu votos de congratulações a Marcelo Lopes e Renata Franco pela participação na missão humanitária da ONG África Sorrindo.
Para Marcelo, que também integra o Conselho da Caldense, a oportunidade de utilizar sua profissão em benefício de pessoas que têm pouco ou nenhum acesso à saúde bucal representa uma experiência única. “Foi uma coisa única. A população lá precisa muito, precisa mesmo, deste serviço. Tudo foi muito puxado, a começar pela logística. A gente pega um voo de 13 horas, passa horas no aeroporto, faz toda aquela transição de alfândega. Dormimos na Etiópia e depois pegamos outro voo de quatro horas”, relatou.
Apesar do longo deslocamento, a recepção compensou o cansaço. Segundo o conselheiro, a equipe foi recebida com manifestações culturais tradicionais da comunidade. “Chegamos lá e fomos muito bem recepcionados. Na base, fomos recebidos com dança e cantoria, tudo muito típico do pessoal de Moçambique. Depois fomos para as aldeias. As pessoas chegavam cedo à base para serem atendidas e só voltavam para casa no final do dia”, contou.
Durante a missão, os voluntários também conheceram de perto as dificuldades enfrentadas pela população local. Marcelo relata que a escassez de água e de roupas está entre os problemas observados nas comunidades visitadas. “Tem crianças que vão crescendo e a roupa vai ficando pequena no corpo. Muitas vezes elas não tiram aquela roupa nem para tomar banho, porque não têm água e também não têm outra para vestir. A água lá é muito escassa, praticamente não existe em algumas regiões”, explicou.
Marcelo também destacou diferenças culturais e sociais encontradas durante a viagem. Segundo ele, as mulheres exercem papel fundamental na manutenção das famílias e enfrentam uma rotina de trabalho pesado. “Lá, as mulheres trabalham muito. Elas andam quilômetros e quilômetros para buscar água, carregam a criança nas costas e ainda levam a lata de água na cabeça”, afirmou.
As condições para a realização dos atendimentos também foram bastante diferentes daquelas encontradas no Brasil. Mesmo em estruturas simples, a equipe manteve o cuidado necessário com a segurança e a esterilização dos equipamentos. “A instalação para atendimento é bem precária. São casas de pau a pique, com palha no telhado. Mas todos os nossos equipamentos foram esterilizados, bem cuidados e tudo foi feito com muito carinho. Foi fantástico poder ajudar”, ressaltou Marcelo.
Para Renata Franco, a missão mostrou que a falta de acesso à odontologia não está restrita apenas às comunidades mais pobres. Segundo ela, a estrutura de saúde bucal é limitada de forma geral, independentemente da condição financeira dos pacientes. “Não é apenas uma questão de ser um país pobre ou de atender pessoas em situação de vulnerabilidade. Lá é tudo muito precário. A odontologia praticamente não chegou. Nem para quem tem condições financeiras, nem para quem está em situação de vulnerabilidade social”, afirmou.
A protética contou ainda que, durante a missão, a equipe chegou a atender pessoas que ocupam posições de destaque na sociedade local. “Teve um dia em que atendemos a mãe da primeira-dama, que é uma pessoa que tem condições financeiras e, mesmo assim, precisou daquele atendimento. Também atendemos o prefeito da cidade de Dondo. Isso mostra que a odontologia ainda não chegou para praticamente ninguém. Eles não têm acesso aos materiais e aos recursos que temos aqui no Brasil. A saúde bucal ainda está muito atrasada”, relatou Renata.
Além dos procedimentos odontológicos, a missão proporcionou aos voluntários uma experiência de contato direto com diferentes realidades sociais e culturais. Para os associados da Caldense, o trabalho reforçou a importância da solidariedade e da humanização na área da saúde.
A participação do conselheiro Marcelo Lopes e da associada Renata Franco na ação internacional também representa motivo de orgulho para a direção da Associação Atlética Caldense, que parabeniza seus associados pelo trabalho voluntário e pela disposição em levar conhecimento, cuidado e atendimento a quem mais precisa.
Com o trabalho dos voluntários, a iniciativa busca não apenas oferecer atendimento imediato, mas também levar informação, prevenção e dignidade às comunidades atendidas, mostrando que a solidariedade pode ultrapassar fronteiras e transformar vidas.











