Supersticioso e folclórico, técnico Juquita marcou época na Caldense

Juquita foi técnico da Caldense em cinco temporadas: 72, 74, 77, 78 e 83 (Foto: Revista Placar)

Juquita José Lúcio nasceu em 1921 e faleceu em janeiro de 1989, aos 67 anos, vítima de trombose cerebral. Treinou a Caldense na primeira participação na divisão principal do Campeonato Mineiro, em 1972. Depois levou a Veterana à conquista do primeiro título de campeã do interior, em 1974. Ainda treinou o Verdão nas temporadas 1977, 1978 e 1983.

Tipo folclórico, foi um dos maiores “pais de santo” do futebol brasileiro, um técnico supersticioso ao extremo, frequentemente recorrendo a artifícios extra-campo, como sal grosso e despachos de macumba, para, segundo ele, amarrar o time adversário. Assessorado pelo massagista Benê e acompanhado por um pássaro preto, preparava suas bolas pretas para serem jogadas dentro do gramado no desenrolar dos jogos, imaginando que isso iria desestabilizar o emocional dos adversários.

Juquita e seu famoso pássaro preto (Foto: Revista Placar)

Suas passagens pela Veterana ficaram marcada pelas inúmeras histórias hilárias que proporcionava nos bastidores das partidas e principalmente pelos excelentes resultados obtidos como treinador. O ex-lateral Arnaldo, relembra um dos causos:

“Sempre que a Caldense precisava vencer, o Juquita usava uma bola preta para nos dar um ‘apoio espiritual’. Certa vez fomos jogar em Uberlândia e tivemos que parar em Tambaú para que ele pudesse fazer o ‘trabalho’ dele no cemitério de lá. Já havia anoitecido e o local estava fechado. Ele decidiu pular o muro, acabou caindo dentro de uma cova e começou a gritar: “me acuda, me acuda, estão querendo me levar”. Tivemos que ajudá-lo a sair de lá e ele voltou para o ônibus cheio de terra, pedaços de vela e flores no corpo. Foi muito engraçado. Apesar desse lado folclórico, gostaria de ressaltar que ele era um estrategista, estudioso, sabia dar treinos, impunha um padrão de jogo”.

De voz grave e pausada, era rigoroso e exigia de seus subordinados total disciplina. Chegou a ser elogiado por ninguém menos que Telê Santana, que o apontava como um treinador capaz de treinar qualquer time grande. No entanto, sua fama de macumbeiro o prejudicava, impedindo voos mais altos.

Juquita e o ponta-esquerda Márcio, com Jota Lopes ao fundo (Foto: Revista Placar)

Antes do futebol, havia trabalhado na Rede Ferroviária Federal, onde atuou como carpinteiro das oficinas do horto florestal. Na política, militou no PTB na década de 40, foi eleito delegado da Caixa de Aposentadoria e Pensões dos Ferroviários em meados da década de 50. Em 1957 fez parte da comissão executiva do diretório estadual do PSB em Minas Gerais.

Após a aposentadoria na RFFSA, trabalhou em diversas equipes do interior de São Paulo e Minas Gerais, especializando-se em salvar times do rebaixamento para a segunda divisão. Juquita fez história no futebol Mineiro, principalmente na Caldense, onde foi homenageado na festa de 84 anos do clube, em 2009, dando nome a uma das salas de reunião do Centro de Treinamento da Veterana. Seu último trabalho como técnico foi no Araxá, no ano de 1985 e hoje, além das homenagens da Caldense, é nome de uma rua em Poços de Caldas, no Jardim Centenário.