Carlos Vinícius: Da estreia no profissional pela Caldense à sensação na Europa

Carlos Vinícius fez sua estreia como jogador profissional em 2017 pela Caldense, no Campeonato Mineiro contra o Uberlândia. Na época atuava como volante (Foto: Acervo Caldense)

Hoje centroavante, Carlos Vinícius fez sua estreia como jogador profissional pela Caldense na posição de volante em 2017 e é atualmente o brasileiro sensação na Europa. Aos 25 anos, está arrebentando no Benfica, ocupa o topo da artilharia do Campeonato Português e acumula passagens de destaque por Mônaco e Napoli. Avaliado em mais de 60 milhões de euros, está sendo sondado por Manchester United e Liverpool. Conheça a trajetória do atleta e a história de sua passagem pela Veterana.

Início de carreira
Nascido em Bom Jesus das Selvas-MA em 25 de março de 1995, Carlos Vinícius Alves Morais é canhoto e tem 1,90 m de altura. Na adolescência, depois de se destacar em escolinhas e times da sua região, começou a treinar nas categorias de base do Santos e logo passou a defender as equipes de base do Palmeiras, onde permaneceu até o final de 2015, nesse período atuava principalmente como zagueiro, às vezes volante e chegou a ser sexta opção na zaga do elenco. Ainda estava tentando descobrir a melhor posição para jogar e chegou a atuar por um curto tempo como centroavante, pois nos rachões se saía bem no ataque.

Na base do Santos, foi companheiro de Gabigol (Foto: Divulgação/Santos)
Quando defendia a base do Palmeiras era zagueiro e chegou a ser a sexta opção da posição (Foto: Divulgação/Palmeiras)

Chegada à Caldense
Sem espaço no Palmeiras, ficou um período sem clube. Seu empresário então entrou em contato com alguns times, na tentativa de conseguir uma oportunidade para o atleta. Até que fez uma indicação dizendo ter disponível “um volante muito bom” para o gerente de futebol da Caldense na época, Alex Joaquim, que abriu as portas e o convidou para treinar com o elenco alviverde.

O plantel da Veterana havia sido apresentado no dia 09 de maio para a disputa da Série D 2016. Aos 21 anos, Carlos Vinícius chegou a Poços de Caldas alguns dias depois, com a intenção de mostrar seu futebol e quem sabe firmar um contrato com o clube. Nas primeiras atividades, ele chamou a atenção do então técnico alviverde, Thiago Oliveira, que aprovou sua permanência no Verdão e assim o atleta assinou contrato com a Caldense por um ano.

Carlos Vinícius treinou no Ninho dos Periquitos pela primeira vez no dia 13 de maio de 2016 (Foto: Mayra Ayres / Caldense)

Série D 2016
A Veterana realizava pré-temporada para a competição nacional. Foram realizados jogos-treino contra Bragantino, Mogi-Mirim e Ituano. Carlos Vinícius chegou a ser relacionado para algumas dessas partidas, entretanto só foi ter oportunidade de jogar mais tempo e ser titular no empate alviverde por 1 a 1 contra o Jacutinga, no Ninho dos Periquitos, em 26 de julho. Na oportunidade entraram em campo apenas atletas considerados suplentes, para pegarem ritmo de jogo. Léo Guerreiro fez o gol do time de Poços e Gustavo empatou para os visitantes.

Jogador foi titular no jogo-treino contra o Jacutinga (Foto: Mayra Ayres / Caldense)
Atleta participou de outros jogos-treino, como na partida contra o Ituano no interior paulista (Foto: Mayra Ayres / Caldense)

Durante a campanha da Caldense na Série D 2016, o jovem Carlos Vinícius brigava por uma vaga na equipe com  atletas que vinham se destacando e mantendo uma regularidade muito grande, como é o caso dos volantes Mineiro, Álvaro e Michel Benhami. Isso dificultava conseguir espaço. Por isso, durante a competição, foi relacionado apenas na última rodada da fase de grupos, no dia 17 de julho, quando a Veterana entrou em campo no Ronaldão contra o Espírito Santo-ES já classificada e com o primeiro lugar do grupo A13 garantido. O atleta ficou no banco com a camisa 14 e viu o time amargar uma derrota por 1 a 0 com gol aos 48 minutos do segundo tempo, anotado por Eraldo. Na segunda fase, a Caldense foi eliminada nos pênaltis pelo Anápolis-GO e o elenco se desfez.

Como ainda estava em evolução, jogador tinha concorrência forte na posição, como é o caso do volante titular Mineiro (direita) (Foto: Mayra Ayres / Caldense)
Carlos Vinícius (direita) em treino físico no Ronaldão, ao lado de Marcelinho (Foto: Mayra Ayres / Caldense)
Caldense deu oportunidade e abriu as portas para o jogador poder desenvolver seu futebol (Foto: Mayra Ayres / Caldense)

Campeonato Mineiro 2017
O futebol do clube ficou inativo por alguns meses até retomar as atividade em 28 de novembro de 2016, quando teve início a pré-temporada visando o estadual do ano seguinte. Carlos Vinícius seguia firme no elenco e se dedicava muito nos treinamentos. A Veterana fez jogos-treinos preparatórios no mês de janeiro e Vinícius participou de alguns deles, sempre entrando na segunda etapa. Como na derrota por 2 a 1 para o Ituano no interior paulista (gols de Ronaldo e Juliano para o time de Itu e Álvaro para a Caldense) e a vitória fora de casa por 1 a 0 contra o Independente de Limeira, gol de Edu Silva.

Carlos Vinícius (à esquerda, ao fundo), durante jogo-treino frente ao Independente, em Limeira-SP (Foto: Renan Muniz)

Durante o Campeonato Mineiro 2017, o técnico Thiago Oliveira prezava pela meritocracia, escolhia os atletas que iam para os jogos de acordo com o desempenho nas atividades da semana e escalava a equipe conforme as características do adversário. Sendo assim, como estava progredindo nos treinos, Carlos Vinícius foi relacionado e ficou no banco no jogo da segunda rodada, contra o Villa Nova, partida em que a Veterana venceu por 1 a 0 aos 50 minutos do segundo tempo, com gol de Rafael Estevam, após um cachorro ter entrado no gramado e interrompido o jogo por alguns minutos.

Jogador ficou no banco na partida contra o Villa Nova. Antes do jogo, posou para foto com seu filho (Foto: Priscila Loiola / Caldense)

Entretanto a concorrência na posição seguia forte. Já que vários atletas vinham desempenhando um bom trabalho, como Hygor, Álvaro, Mineiro e até mesmo Lazarini e Thiago Carpini, que atuavam em outras posições, mas em diversas partidas eram utilizados como volantes. Carlos Vinícius não estava sendo relacionado e seguia batalhando, esperando uma oportunidade, assim como seus demais companheiros de posição do elenco, Tharsus e Guilherme Noé.

Nos treinos, Carlos Vinícius se esforçava na marcação e tentava parar o artilheiro Luiz Eduardo (Foto: Renan Muniz)

Estreia no profissional
Até que chegou a oitava rodada da competição, contra o Uberlândia, fora de casa, em 19 de março. Dois dias antes da viagem, o clube divulgou a lista de atletas que acompanhariam a delegação, incluindo apenas os volantes Hygor, Mineiro e Álvaro, pois Thiago Carpini teria que cumprir suspensão automática por ter levado o terceiro cartão amarelo na rodada anterior. Porém, o jogador Mineiro sofreu uma entorse no tornozelo durante a semana e era dúvida, viajaria acompanhado de um fisioterapeuta para fazer tratamento intensivo e tentar ter condições de jogo. Para prevenir, a comissão técnica alviverde optou por levar mais um volante na viagem e escolheu Carlos Vinícius.

Ao final das contas, Mineiro não conseguiu se recuperar a tempo. Entre as opções de volante à disposição para o duelo no Parque do Sabiá em Uberlândia-MG, todos tinham características mais ofensivas e Carlos Vinícius era mais marcador. Por isso ganhou a vaga de titular e recebeu a camisa 5, formando o meio-campo com Hygor, Diego Clementino e Ewerton Maradona. A Caldense jogou com o uniforme branco e foi superada por 2 a 0 pelos donos da casa, com gols de Rodney e Diogo Roberto. Carlos Vinícius atuou durante os 90 minutos e desempenhou bem sua função dentro de campo. Como curiosidade recebeu cartão amarelo aos 16 minutos da etapa complementar por “calçar as pernas de um adversário”.

Na sua estreia como profissional, no Parque do Sabiá, Carlos Vinícius (terceiro da esquerda para a direita) atuou como volante e jogou os 90 minutos (Foto: Divulgação / FMF)

Fim da passagem pela Veterana
Nas rodadas seguintes, com o retorno dos demais jogadores da posição, Carlos Vinícius não se manteve como titular, porém, devido ao bom desempenho na partida, voltou a ser relacionado e ficou no banco nos dois jogos seguintes: derrota por 3 a 1 no Ronaldão para o Democrata e vitória em Três Corações por 1 a 0 frente ao Tricordiano, com golaço do meio da rua de Jefferson Feijão. Essa foi a última participação do jogador em uma partida alviverde. Pois na rodada seguinte contra o Atlético-MG, a última da competição, outros atletas foram relacionados. A Veterana venceu de virada por 2 a 1, mas não conseguiu classificar para as semifinais. Sendo assim, o contrato da maior parte dos jogadores chegou ao fim, inclusive o de Carlos Vinícius, que seguiu sua carreira e foi contratado pelo Grêmio Anápolis, para disputar a segunda divisão do Campeonato Goiano.

Atleta permaneceu na Veterana dos 21 aos 22 anos (Foto: Priscila Loiola / Caldense)

Mudança de posição
Na equipe goiana mudou de posição, passou a atuar como centroavante, para ver se poderia render mais, pois havia exercido a função por um período na base do Palmeiras. Mas começou a ficar desiludido com o futebol e considerava até desistir de seguir carreira como jogador profissional. Porém um dirigente do clube Real Massamá, de Portugal, que estava no Brasil observando um outro atleta, por acaso viu o futebol de Carlos Vinícius e resolveu levá-lo por empréstimo para defender seu time na segunda divisão portuguesa. Aí a vida do atleta mudou.

Chegada à Europa
Carlos Vinícius marcou três gols em sua estreia e, em 37 partidas, balançou as redes 19 vezes. As atuações despertaram o interesse do Napoli, da Itália, que comprou seu passe por aproximadamente 4 milhões de euros. Para ganhar experiência, foi emprestado ao Rio Ave, de Portugal em 2018, onde fez 14 gols em 20 partidas e depois seguiu por empréstimo para o Mônaco.

Apelido “Vini da Pose”
Na equipe francesa, após uma brincadeira de um entusiasta por futebol em um canal de YouTube, iniciou-se uma campanha na internet para que quando Carlos Vinícius marcasse seu primeiro gol pelo Mônaco, comemorasse cruzando os braços, ao estilo Mbappé, atleta revelado pela equipe. Quando conseguiu o objetivo, Carlos fez a comemoração e a partir de então recebeu o apelido “Vini da Pose”.

No Mônaco, ganhou o apelido “Vini da Pose”, por comemorar gols cruzando os braços (Foto: Divulgação/Mônaco)

Artilharia e valorização do passe
As boas atuações no Mônaco atraíram a atenção no Benfica de Portugal, que o comprou por 17 milhões de euros para a temporada 2019/2020, o contrato vai até meados de 2024, com multa rescisória na casa dos 100 milhões de euros. Desde então está brilhando na equipe portuguesa, já marcou 20 gols e deu 12 assistências em 36 jogos na temporada e é o atual artilheiro do Campeonato Português, com 15 gols.

Hoje centroavante do Benfica, Carlos Vinícius é o artilheiro da temporada 2019/2020 do Campeonato Português com 15 gols (Foto: Divulgação/Benfica)

Caldense se tornou um dos clubes formadores
De acordo com o mecanismo de solidariedade da FIFA, 5% do valor de todas as transferências internacionais é dividido proporcionalmente entre os clubes que participaram da formação do jogador, conforme o tempo que o atleta permaneceu em cada um dos times entre 12 e 23 anos. Como fez sua estreia no profissional pela Veterana, e defendeu a equipe dos 21 aos 22 anos, a Caldense entrou para o currículo do atleta como um dos clubes formadores. Sendo assim, a cada vez que o atleta for transferido no mercado internacional, Santos, Palmeiras, Caldense, Grêmio Anápolis e Napoli tem direito a uma fração desses 5% do valor total da transferência.

Por ter sido clube formador, Caldense tem direito a um percentual em cada transferência do atleta (Foto: Mayra Ayres / Caldense)
Foto oficial de Carlos Vinícius na Veterana da temporada 2017 (Foto: Priscila Loiola / Caldense)