Campeonato Interno da Caldense fortalece laços familiares e celebra a integração por meio do futebol

A Associação Atlética Caldense recebe, até novembro, o Campeonato Interno Carlos Alberto Brunório de Futebol Society, competição que, além de promover a disputa esportiva, valoriza a amizade, o respeito e a convivência entre os associados. Um dos aspectos que mais chamam a atenção nesta edição é a presença de mais de 20 atletas com vínculos familiares, entre pais e filhos, irmãos, avôs e netos, tios e sobrinhos, que compartilham a mesma paixão pelo futebol e transformam o torneio em um espaço de confraternização entre gerações.


Entre as histórias que traduzem esse espírito está a de Thiago Dias, da equipe Colômbia, 40+, que, além de participar da competição, acompanha o desempenho do filho, João Negrini, que defende Camarões, 18+. Thiago também tem o irmão, Diego Dias, como adversário, atuando pela equipe Chile, 40+.


Para Thiago, conciliar o papel de pai com a participação na organização exige equilíbrio, especialmente nos dias de jogos do filho. “É difícil, porque, além de pai, a gente também quer ser treinador. Como faço parte da comissão organizadora, preciso me controlar e evitar manifestações que possam parecer tendenciosas em relação a um atleta. Às vezes, até penso em não vir nos dias em que meu filho joga, porque é natural que o pai queira vê-lo se destacando”, comenta.


O orgulho, entretanto, fala mais alto ao acompanhar a trajetória de João, que passou pelas categorias de base de clubes como a Caldense e o Red Bull Bragantino. Thiago destaca a maturidade e o comprometimento do filho, que tem colocado suas habilidades a serviço da equipe. “Ele é um menino que cresceu no futebol e vem fazendo um bom campeonato. Tem ajudado o time e demonstrado que não é individualista, pois gosta de jogar coletivamente. É sempre um prazer poder dividir esses momentos no esporte com ele”, ressalta.


A rivalidade entre irmãos também ganha espaço na competição, como no confronto entre Nério dos Santos Jr, do Egito, e seu irmão Gabriel de Andrade Fátima, que atua pela Nigéria, ambos 18+. A disputa, marcada por provocações e brincadeiras, é uma extensão de uma convivência construída desde a infância. “Jogar contra o irmão tem um gostinho especial. Desde antes das partidas, já começa a provocação, um dizendo que o outro não vai conseguir marcar ou perguntando quantos gols vai fazer. Existe uma rivalidade saudável, mas a amizade está sempre em primeiro lugar. Às vezes, dá vontade de colocar um pouco mais de intensidade, mas sabemos que estamos entre amigos. Gostaria de jogar ao lado dele, mas, como não podemos escolher, é um prazer tê-lo como adversário”, conta Nério.


Gabriel também recorda que a disputa entre os dois vem desde os tempos em que jogavam futebol nas ruas e que as brincadeiras permanecem dentro e fora de campo. “Sempre jogamos juntos, desde pequenos, e essa rivalidade faz parte da nossa história. A resenha começa logo cedo, com provocações sobre quem vai levar um drible ou quantos gols vai sofrer. É muito gostoso viver isso no futebol. A gente se entende muito bem dentro e fora de campo e gostaria também de jogar na mesma equipe, mas essa disputa também tem seu valor. É um prazer estar competindo com ele”, afirma.


A integração entre gerações também está representada por Paulo Sérgio Passetti, conhecido como Ciganinho, goleiro da equipe Arábia Saudita, 56+, que acompanha com orgulho o neto, André Luiz Silva, de 16 anos, atleta de Marrocos, 18+. A paixão pela posição de goleiro atravessou gerações e hoje proporciona aos dois a oportunidade de compartilhar experiências dentro e fora das quatro linhas. “É uma satisfação muito grande participar do campeonato da Caldense e, agora, ver meu neto, aos 16 anos, seguindo o mesmo caminho. É muito gratificante tê-lo jogando conosco e compartilhando essa paixão pelo futebol”, destaca Ciganinho. Questionado sobre a postura ao acompanhar as partidas do neto, entre a torcida de avô e a experiência de goleiro, ele brinca: “São os dois juntos. A gente procura transmitir um pouco da experiência, dar uma orientação aqui e outra ali, e, no final, tudo vai dando certo”.


Para Thiago Dias, da organização do campeonato, a presença de tantos familiares demonstra a importância do ambiente de convivência construído pela Caldense e reforça o papel social do esporte entre os associados. Segundo ele, durante o levantamento dos vínculos familiares entre os participantes, foram identificados diversos núcleos que envolvem diferentes gerações, com parentes disputando tanto a mesma categoria quanto divisões distintas. “Quando começamos a identificar quem era parente de quem, percebemos a dimensão dessa integração. Temos avôs jogando com netos, irmãos em equipes adversárias, tios, sobrinhos e primos participando da mesma competição. É muito gratificante ver, por exemplo, o Ciganinho, com quase 70 anos, jogando e acompanhando o neto de 16, que também escolheu ser goleiro. São histórias que mostram como o esporte aproxima as pessoas”, ressalta.


Thiago também enfatiza que o ambiente de respeito e amizade proporcionado pelo clube é fundamental para estimular a participação de diferentes gerações. “Se a Caldense não oferecesse um ambiente acolhedor, talvez o avô não estivesse aqui jogando, o neto não quisesse seguir seus passos ou o filho não tivesse interesse em participar. O respeito e a convivência que o clube proporciona motivam os associados a estarem juntos, compartilhando momentos com filhos, netos, sobrinhos e primos. Isso torna o campeonato ainda mais especial”, afirma.


Realizado em homenagem a Carlos Alberto Brunório, o Carlinhos, o torneio celebra sua trajetória e contribuição para a história da Associação Atlética Caldense, especialmente no futebol e na integração entre os associados. A edição de 2026 reúne mais de 230 atletas, distribuídos em 22 equipes e quatro categorias de idade, consolidando-se não apenas como uma competição esportiva, mas também como uma oportunidade de fortalecer amizades, preservar tradições e aproximar famílias por meio do esporte.

FAMILIARES

André e Ciganinho: goleiros neto e avô.
Calei, Pepê e Tavinho: pai e filhos.
Fabigol e Fabinho: primos.
Gabriel e Thiago Borghetti: irmãos.
Nério Jr. e Gabriel Andrade: irmãos.
Paquito, João Pedro e Conrado: pai e filhos.
Paulo Sock, Léo e Luquinha: pai e filho e tio.
Thiago Dias, João Negrini e Diego Dias: pai e filho e tio.
Tuti e Marcinho: goleiros sobrinho e tio.